Como funcionam os Certificados do Tesouro

Em tempos de crise económica, surge a necessidade de pensar em formas de tentar garantir um futuro estável e com rendimentos. Publicado em Diário da República na Resolução do Conselho de Ministros n.º40/2010, a 11 de Junho de 2010, os Certificados do Tesouro começaram a ser comercializados em Julho do ano passado.

Este instrumento da dívida pública criado pelo Estado Português, destina-se somente a privados e detêm um prazo de 10 anos.

Desde que surgiu esta forma de lucro, tem sido gerado um grande interesse, pois é uma forma de investimento de capital sem risco onde, a médio e longo prazo, o investidor pode usufruir de taxas de juro bem mais atrativas em relação a contas a prazo ou Certificados de Aforro. Ou seja, dão aquilo que de melhor a dívida pública tem para oferecer: o rendimento das Obrigações do Tesouro e a liquidez dos Certificados de Aforro.

O prazo para investir capital é de 10 anos (no máximo), sendo que se pensar em investir por menos de 5 anos, as vantagens já não se tornam tão claras.

Em relação a custos, cada certificado tem o custo de 1€. No entanto, a compra mínima é de 1000 certificados, ou seja, 1000€, sendo que o valor máximo por indivíduo é de um milhão de euros. Portanto, para realmente tirar sérios benefícios ao aplicar esta quantia mínima, aconselhamos o leitor a pensar se não necessitará do montante, pelo menos, durante os próximos 5 anos, pois só a partir daí conseguirá retirar uma maior margem de lucro.

Se por acaso tiver algum inconveniente, e quiser resgatar o valor aplicado, o dinheiro investido inicialmente não será perdido. Ou seja, pode recuperar o dinheiro, no mínimo, seis meses após ter efetuado a subscrição. E efetuando o resgate total ou parcial fora das datas de pagamento de juros, perderá o direito das remunerações que iria receber entre o pagamento dos juros e o levantamento do seu dinheiro. Ou seja, dando o exemplo de um investimento de 1000€ a 5 anos, poderá auferir em juros cerca de 150€ com os Certificados de Tesouro; enquanto com os Certificados de Aforro, com um investimento também de 1000€, ao fim de 5 anos simplesmente lucrava cerca de 67€.

É de ter em atenção que estes valores dados como exemplo, não são a regra absoluta. Os juros praticados estão diretamente relacionados com as taxas dos Bilhetes do Tesouro ou Euribor praticadas à data de subscrição dos mesmos.

Ora, para o leitor ficar um pouco mais elucidado acerca dos ganhos que pode retirar deste tipo de investimento, passo a explicar sucintamente esta questão: até ao quinto ano de subscrição dos Certificados do Tesouro, os juros são pagos de acordo com as taxas dos Bilhetes Do Tesouro ou Euribor a 12 meses. Já no quinto ano, os juros são pagos tendo em conta a diferença entre a remuneração dos Bilhetes do Tesouro ou Euribor a 12 meses e das Obrigações do Tesouro a 5 anos. Depois disto, e como já disse anteriormente, a partir do quinto ano o leitor começará a notar verdadeiros lucros. Ou seja, depois de 5 anos com os Certificados do Tesouro, os juros são pagos tendo em conta as taxas das Obrigações do Tesouro a 5 anos, praticadas na data de subscrição. Por último, já no décimo ano os juros serão calculados de acordo com a diferença entre a remuneração das Obrigações do Tesouro a 5 anos e das Obrigações do Tesouro a 10 anos.

Onde Comprar Certificados do Tesouro

Agora o que os interessados estarão a pensar será: mas onde poderei adquirir estes Certificados? De forma a conseguir investir nesta aplicação da dívida pública portuguesa, o leitor terá de abrir uma conta no Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, mais conhecido como IGCP. Apesar de também comercializados pelos CTT, esta (IGCP) será a entidade reguladora dos Certificados do Tesouro, assim como uma entidade que disponibiliza a sua aquisição.

Se por acaso já tiver dinheiro aplicado em Certificados de Aforro, tome bem conta dos prós e contras de transferir o capital para Certificados de Tesouro, pois deverá ter a certeza de que irá manter o investimento por mais de 5 anos, ou os lucros não serão mais vantajosos. Pois enquanto que ganha sempre 2% de juros com os Certificados de Aforro, com esta nova aplicação da dívida do Estado, só ganhará 1% durante os primeiros 4 anos.

Em suma, contrapondo um pouco com os Certificados de Aforro, os relativamente recentes Certificados de Tesouro só não se tornam mais rentáveis se os aplicar por 3 ou 4 anos. De resto, esta forma de investimento de capital demonstra ser uma excelente alternativa para todos os cidadãos que disponham de um mínimo de 1000 euros para aplicar.

About Bruno Gomes
Bruno Gomes, jornalista profissional, escreve notícias e artigos relacionados com finanças pessoais.

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