Quando um desconto não compensa

Para quem quer poupar dinheiro, falar em descontos é das melhores coisas que pode ouvir. No entanto, nem todos os descontos valem o sacrifício, em termos de horas e deslocações.

Um exemplo que se vê muitas vezes nos noticiários, é o de automobilistas a fazerem filas enormes em bombas de combustível, quando se sabe antecipadamente que a gasolina vai subir 1 cêntimo por litro. A maior parte deles claramente não fez contas, porque senão vejamos:

  • Um depósito normal leva no máximo 50 litros, logo a poupança máxima é de 50 cêntimos.
  • Como somos apanhados desprevenidos, muitos automobilistas vão à bomba para colocar apenas 10 litros, porque meteram gasolina nos dias anteriores. Podem poupar cerca de 10 cêntimos…
  • Se a fila for grande, passam 1h em para-arranca, consumindo talvez 0,5l de combustível.
  • Durante essa hora não fizeram mais nada e ainda ficaram mal dispostos (ninguém gosta de esperar em filas de trânsito).
  • Provavelmente, para compensar vão relaxar bebendo 1 café que custa 55 cêntimos.

Uma grande percentagem de pessoas segue a multidão, sem sequer parar para pensar um pouco sobre o tempo que vai perder e o dinheiro que vai poupar.

Gestão do tempo

Além de ser uma questão financeira, este problema é também abordado em disciplinas de gestão do tempo. Os especialistas nesta área aconselham a calcular quanto vale cada hora do seu tempo e depois comparar o que vai ganhar ou poupar em termos financeiros, com o que vai perder em termos de tempo. Isto é muito importante, porque o dinheiro pode sempre recuperar mais tarde, mas o tempo nunca mais volta.

Segundo o site Salary.com, os americanos gastam:

  • 1,2h por dia nas compras.
  • 150h por ano à procura de coisas e informações perdidas.
  • 2h improdutivas em 8h de trabalho.

Tim Ferris, autor do livro “Trabalhar 4 horas por semana” sugere uma fórmula simples para fazer o cálculo do valor da sua hora.

Se ganha 50.000€ por ano, remova os últimos 3 dígitos (50€), depois divida esse número por 2 (50€ / 2 = 25€). Esse número é quanto poderia estar a ganhar se estivesse a trabalhar, neste caso 25€ por hora.

Este valor ajuda-nos a ter uma perspectiva do custo de andarmos várias horas à procura de um desconto pequeno. O que fazer?

Criar um diário

Uma das melhores formas de termos a noção do tempo é fazer um diário das horas que gastamos em cada tarefa. Basta uma folha de papel e uma caneta para apontar quanto tempo demoramos a trabalhar, a comer, nas compras ou em diversão.

No final da semana, faça as contas e veja quanto tempo desnecessário perdeu.

Outra coisa importante que precisa analisar é, se as compras são para si uma actividade de prazer ou um sacrifício pessoal. Se é um prazer, então pode colocar essas horas na categoria diversão.

Gerir melhor o tempo

Depois de saber quanto tempo gasta, o passo seguinte é substituir esse tempo por algo que lhe dê prazer, e marcar esse tempo numa agenda. Quantas vezes não ficou a ver um programa mau de televisão sentado no sofá, só porque não tem nada para fazer? Esta situação também faz com que perca mais tempo à procura do preço mais baixo. Porque não tem alternativas para passar o tempo.

Por isso, analise bem o custo-benefício de procurar o preço mais baixo em todos os artigos que quer comprar.
Se andar mais 100 metros para comprar fruta numa loja mais barata, é um bom negócio, gastar 5 horas do seu tempo para poupar 5€ talvez já não seja.

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